“Doko yori mo Tooi Basho ni Iru Kimi e” (“Para você, que está no lugar mais distante de
todos”), ou simplesmente Dokokimi, chegou aos cinemas japoneses em 9 de outubro. Para marcar a estreia,
o site Anime! Anime! conversou com o diretor
Junichi Wada e com Hechima, responsável pelo design de
personagens e pela direção-geral de animação. O papo rendeu histórias boas sobre ilha, silêncio e vozes.
Uma ilha de verdade por trás da ficção
O filme adapta o romance de
Akiko Abe (Shueisha Orange Bunko, 2017).
Kazuki Tsukigase se transfere,
por um motivo que guarda para si, para um colégio numa ilha afastada, onde conhece Nanao Akashika. É uma
fantasia sobre a juventude, e a ilha tem papel central.
Por isso, a equipe foi até as ilhas de Oki, que serviram de modelo para o cenário. Wada levou Hechima e as equipes de arte e de som. Ele conta que encontrou lá não só uma natureza bonita, mas a vida das pessoas e um clima meio místico. Parte dos cenários foi pintada a partir das fotos da viagem, e o diretor de som gravou sons do lugar.
Um detalhe divertido: um café com leite de caixinha, muito comum na ilha, virou símbolo dos estudantes do filme. “Até quando a gente olhava para o chão durante a pesquisa, o que estava jogado não era lata, era a caixinha desse produto”, lembra Wada, que admite que escolheu a bebida por gosto pessoal, sem consultar ninguém.
Menos narração, mais silêncio
O livro é narrado por Kazuki e cheio de pensamentos dele. Na tela, Wada preferiu tirar boa parte da narração e deixar momentos sem fala ou só com música, para o público ter espaço de pensar. Ele enquadrou as cenas mais abertas do que costuma fazer na TV, mostrando o corpo inteiro e o cenário, e guardou os closes para quando eram mesmo necessários. Chegou a pedir ao editor pausas mais longas. “Na verdade eu queria mais tempo de filme”, confessa.
Hechima conta que os personagens vieram quase prontos na cabeça ao ler o livro. Kazuki é um rapaz bonito, de traços
andróginos e com uma sombra no olhar, alguém que poderia ser chamado de “príncipe” sem estranhamento. Para
Nanao, a
palavra-chave foi “jeito de gato”: uma heroína clássica, simples, direta, criada na ilha, e capaz de convencer
o público de que Kazuki se apaixonaria por ela.
As vozes que fecharam o quebra-cabeça
A frase do título vem de Hechima, que acompanhou a gravação das vozes. Ao ouvir
Hiiro Ishibashi (Kazuki) e
Anna Nagase (Nanao), sentiu que nasceu nos personagens uma força de convencimento que fazia pensar “agora vai
dar certo”, e confessa que ouviu a atuação dos dois chorando. Wada explica que escolheu o elenco por teste,
procurando vozes naturais parecidas com a imagem que o roteiro e o livro passavam.
No recado final, Wada disse que chorou ao ler o romance e tentou pôr nas duas horas de filme tudo o que sentiu. Os dois, rindo, preferiram não prometer que ninguém vai se arrepender, mas garantem que fizeram o filme com todo o empenho e torcem para que ele deixe alguma coisa no coração de quem assistir.
- Direção
Junichi Wada- Roteiro
- SSayaka Kuwamura
- Design de personagens e direção-geral de animação
- Hechima
- Estúdio
TMS Entertainment (6th Studio)- Distribuição
- Shochiku
- Obra original
- Romance de
Akiko Abe (Shueisha Orange Bunko) - Estreia no Japão
- 9 de outubro de 2026
É o primeiro longa de Wada como diretor. Antes, ele comandou SukaSuka, Sakugan e HIGH CARD. Já Hechima fez o design de personagens e a direção-geral de animação de Chou Kaguya-hime!. Todos estão no acervo.
Obra citada
Doko yori mo Tooi Basho ni Iru Kimi e
Filme · 9 de outubro de 2026 · ver a ficha completa →
Do mesmo diretor
SukaSuka
TV Anime · ver a ficha completa →
Também com Hechima
Chou Kaguya-hime!
ONA · ver a ficha completa →
Com informações do Anime! Anime! (entrevista de Kaori Yoneda), 9 de outubro de 2026. Imagens de divulgação.